Vaquejada não é esporte, é violência

É triste reconhecer que há manifestações culturais que envolvam privação e sofrimento a seres sencientes

Como alguém pode se divertir ou ter prazer em algo assim? (Fotos: Reprodução)

Do ponto de vista moral e ético, vaquejada nunca foi esporte. Em primeiro lugar, porque não há o consentimento do animal. Em segundo, porque o submete à situação vexatória análoga à tortura. Incompreensível também é defini-la como manifestação cultural, na tentativa de legitimar sua prática, endossar sua aceitação.

Cultura é uma palavra que no meu ideário sempre preferi relacionar, pelo menos instantaneamente, com coisas boas, embora infelizmente também seja atrelada a coisas ruins. Quando o assunto é cultura, logo penso em algo que ajude a elevar a alma humana e o desenvolvimento de nossas sensibilidades.

É triste reconhecer que há manifestações culturais que envolvam privação e sofrimento a seres sencientes. Como alguém pode se divertir ou ter prazer em algo assim? Não tenho dúvida alguma de que a vaquejada já não deveria mais ser vista em nossa sociedade como uma manifestação cultural, mesmo que endossada legalmente pelo desejo de uma minoria.

Tanto os filósofos da Grécia Antiga quanto os mais contemporâneos que não endossam a exploração animal convergem para um mesmo ponto quando falamos de ética. Eles argumentam que a ética não existe sem liberdade de escolha.

Sendo assim, não há fundamento para a defesa da vaquejada quando alguém a qualifica como manifestação cultural. Ademais, nesse aspecto, penso que nesse caso cultura e ética são indissociáveis. Nem poderia ser diferente, já que o animal não escolheu ter o seu rabo puxado violentamente para a efervescência da barbárie humana.

É uma pena que tanta gente influente continue se omitindo em relação às vaquejadas. São pessoas que poderiam contribuir para uma importante retomada de consciência em relação ao valor da vida animal.

Falar em liberdade, igualdade e exploração quando se trata de outros assuntos, e ao mesmo tempo não se posicionar quanto a isso, me parece um paradoxo difícil de ignorar, porque grita conveniência, desinteresse por aquilo que não nos atinge diretamente. Há uma evidente ausência de empatia e respeito à vida; uma crença de que se a dor do outro não é a minha, ou se não a reconheço por sermos diferentes, pouco me importa.


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