De acordo com um levantamento da foodtech Eat Just, as vendas globais de alternativas ao ovo cresceram 192% em 2020. Além disso, a projeção é de que o mercado global alcance um valor muito superior ao equivalente a R$ 7 bilhões estimados no final de 2018 para 2023.
A conclusão é baseada no reconhecimento de que a demanda tem superado as expectativas, e a cada ano cresce o número de empresas de diversas partes do mundo investindo no desenvolvimento e comercialização de alternativas que não apenas visam mimetizar o sabor e a textura do ovo.
Só a Eat Just, que lançou seu primeiro produto no mercado em 2018, anunciou em março deste ano que já havia comercializado o equivalente a 100 milhões de ovos a partir de uma versão à base de proteína de feijão mungo e cúrcuma.
Embora a América do Norte seja apontada como líder na produção de alternativas ao ovo, Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul e Oceania também estão desenvolvendo esse mercado que tem a seu favor o crescente interesse dos consumidores por novas opções.
As motivações vão desde a rejeição ao consumo de alimentos de origem animal por uma preocupação ética e ambiental como também o fato de haver uma parcela da população que tem alergia ao ovo.
Além disso, estão surgindo opções que visam atrair não apenas pelo sabor e textura. Exemplos são os produtos que mimetizam o formato do ovo tradicional e estão sendo produzidos pela Le Papondu, da França; OsomeFood e Float Foods de Singapura; e Yo-Egg, de Israel.
O que as alternativas ao ovo normalmente têm em comum é a utilização de leguminosas como importante ingrediente. Algumas opções em pó também têm ganhado visibilidade. No Canadá, há a Eggcitables. No Brasil, o lançamento mais recente provavelmente é o Ovegg, da Zona Cerealista Online.
Pensando nas opções disponíveis e nas mudanças que ocorrem de um ano para o outro, não é difícil perceber que é um mercado que tende ao aperfeiçoamento, até para alcançar um número maior de consumidores que consideram palatabilidade, preço e perfil nutricional.
Hoje é perceptível também que pode ser um equívoco oferecer um produto em substituição ao ovo que não contém uma quantidade atrativa de proteínas. Uma alternativa mais rica seria um diferencial para o consumidor.
Afinal, quem vê o ovo como fonte de proteína e abdica desse consumo ou está considerando esse tipo de mudança pode não se interessar em experimentar um novo produto pobre em proteínas, ainda que sua intenção não seja incorporá-lo em sua alimentação cotidiana.
Atualmente há fabricantes de alternativas aos alimentos de origem animal reconhecendo que apenas sabor e textura podem não ser suficientes quando se mira um público-alvo mais amplo, mesmo que o mercado esteja se desenvolvendo bem.
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