Vovô Vegano: “Sou otimista com relação a um futuro cada vez mais vegano”

José Matos é o criador da página Vovô Vegano, onde compartilha diálogos entre avô e neto sobre exploração animal e veganismo

“Vejo que muitos jovens estão entendendo o grande erro da humanidade em se alimentar de animais” (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2017, o arquiteto e contador de histórias carioca José Matos decidiu criar uma página para compartilhar conversas fictícias entre um avô e um neto. O nome? Vovô Vegano, que usa uma linguagem leve e afetiva para conscientizar sobre a exploração animal e os benefícios do veganismo.

Hoje, aos 72 anos, o Vovô Vegano conta que a sua história com a abstenção do consumo de animais começou por acaso em 1996, quando ele tinha 50 anos e foi a um centro espírita kardecista. “Naquele dia, uma pessoa fez uma palestra sobre vegetarianismo e sugeriu a leitura do livro ‘Fisiologia da Alma’, de Ramatis. Comprei o livro e, logo nas primeiras páginas, decidi parar de comer todos os tipos de carne, de um dia para o outro”, relata.

Como a obra não falava nada sobre o consumo de outros laticínios e ovos, José Matos achou que não havia nenhum problema em consumi-los. Durante 16 anos sem comer carne, ele não conheceu nenhum ovolactovegetariano e muito menos algum vegano.

“Desconhecia a crueldade na produção de leite e de ovos. Só em 2012 que conheci algumas pessoas veganas. Primeiro pelo Facebook e depois pessoalmente em uma festa junina. Por sugestão delas, busquei no Google e no YouTube por ‘indústria do leite’ e ‘indústria dos ovos’. Parei de consumir leite, queijos e ovos de um dia para o outro”, confidencia.

Embora não tenha passado por uma fase de transição, já que Matos não sabia da realidade da produção de outros alimentos de origem animal, ele conta que a sua adaptação do ovolactovegetarianismo para o veganismo foi bem simples. “No início, ainda passava creme vegetal Becel (sem leite) no pão, mas logo parei quando soube dos testes em animais da Unilever. Fiquei um tempo sem comer queijo e depois passei a comprar, de vez em quando, versões vegetais nas feiras veganas”, explica.

O Vovô Vegano revela com orgulho que há poucas semanas foi a mais uma consulta anual com o cardiologista, que avaliou exames de sangue, urina e realizou outros: “Ele disse: ‘Está tudo ótimo! O eletrocardiograma, a pressão, a glicose, o colesterol, os triglicerídeos, as vitaminas B12 e D, a testosterona, tudo ótimo!’”

Arroz, feijão, legumes, verduras, frutas e castanhas são a base da alimentação do Vovô Vegano. De vez em quando, ele encomenda algumas refeições veganas que qualifica como “mais elaboradas”. Quando participa de alguma feira vegana, leva para casa hambúrgueres, risoles, coxinhas, etc.

“Não tenho nenhum prato preferido. No café da manhã, costumo comer pão de forma integral com pasta de soja ou alguma manteiga vegana que compro nas feiras. Frutas, café com leite de coco ou de soja em pó e suco também fazem parte da minha alimentação”, acrescenta.

Com a sua página homônima no Facebook, o Vovô Vegano está sempre encontrando novas formas de levar as pessoas a refletirem sobre a nossa relação com os animais. Embora a receptividade seja bem positiva, ele se recorda que antes de criar a fanpage algumas pessoas sempre se incomodavam com suas publicações veganas em sua página pessoal. “Era comum alguém fazer críticas ou comentários debochados”, lembra.

Segundo o Vovô Vegano, a resistência ao veganismo é uma reação esperada porque toda mudança de conceitos é difícil de ser adotada, considerando que as pessoas são criadas com padrões de crenças e, de uma maneira geral, não querem sair da zona de conforto:

“E quanto mais idade a pessoa tiver, mais difícil é pensar em mudar algo que está entranhado nos seus conceitos de vida. No caso do veganismo, acredito que muita gente se convence de que não é certo praticar crueldade contra os animais, mas se agarra a justificativas como ‘é cultural’, ‘todo mundo sempre comeu carne’, ‘está na Bíblia’, e coisas assim. Para os jovens, é mais fácil mudar os seus conceitos.”

Apesar disso, o Vovô Vegano tem motivos para comemorar. Tem conquistado cada vez mais pessoas com seus diálogos descontraídos a favor do veganismo. A prova disso são os milhares de seguidores no Facebook e no Instagram. “A experiência de ser reconhecido nos eventos veganos é gratificante. O carinho das pessoas é ótimo!”, garante.

Perto de completar 73 anos, ele afirma que a sua saúde, disposição e bom astral talvez não fossem tão bons se não tivesse parado de consumir alimentos de origem animal: “Sou otimista com relação a um futuro cada vez mais vegano. Vejo que muitos jovens estão entendendo o grande erro da humanidade em se alimentar de animais, não só pelo lado ético, como pelos danos que esse tipo de alimentação causa à própria saúde e ao planeta.”

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