Vozes em Luto cancela ato do Dia Mundial pelo Fim da Pesca

“Os peixes não são protegidos nem considerados indivíduos, além de serem os animais consumidos pela humanidade que têm o maior volume anual de mortes”

Muitos desses animais aquáticos são conscientemente sangrados e eviscerados ou são jogados no mar”, lamenta o grupo (Foto: Getty)

O coletivo Vozes em Luto informou ontem (23) que o ato de conscientização no Dia Mundial Pelo Fim da Pesca, que seria realizado no domingo (29) em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), foi cancelado em decorrência do aumento do número de pessoas com coronavírus (covid-19) na capital paulista. “Nosso cronograma para o segundo trimestre de 2020 agora está suspenso”, informou o coletivo.

Data deve ser lembrada e conscientização levada adiante

No entanto, o Vozes em Luto enfatiza que mesmo sem a realização do evento a data deve ser lembrada e a conscientização sobre a realidade dos peixes precisa ser compartilhada com o maior número de pessoas, mesmo que por meios virtuais.

“Os peixes não são protegidos nem considerados indivíduos, além de serem os animais consumidos pela humanidade que têm o maior volume anual de mortes.”

Segundo o coletivo, eles continuam sendo os grandes incógnitos do público e os esquecidos das campanhas a favor dos direitos animais. “Milhares de bilhões de peixes, cefalópodes e crustáceos são mortos a cada ano. Muitos desses animais aquáticos são conscientemente sangrados e eviscerados ou são jogados no mar”, lamenta o grupo.

Peixes são vítimas do especismo

O Vozes em Luto cita também que muitos morrem durante a descompressão provocada pela pesca comercial, e destaca que há muitos que vivem confinados em fazendas aquáticas.

“Porque não vivem em nosso ambiente terrestre, porque não são mamíferos como nós, não expressam suas emoções por expressões faciais ou gritos, esses animais são vítimas do especismo.  Subestimamos suas capacidades de sofrer e experimentar prazer, bem como suas capacidades cognitivas e sociais.”

Uma pesquisa divulgada em 2019 aponta que peixes podem sofrer de forma muito semelhante aos mamíferos, incluindo humanos. De autoria da pesquisadora Lynne Sneddon, do Instituto de Biologia Integrativa da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, o estudo afirma que os peixes hiperventilam e deixam de se alimentar quando estão sofrendo.

‘Quando sujeitos a um evento potencialmente doloroso, os peixes mostram mudanças adversas no comportamento, como suspensão da alimentação e atividade reduzida, que são interrompidas quando recebem um medicamento para alívio da dor”, informa a autora.

O que é o especismo?

Cunhado pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder em 1970, o termo especismo se refere a uma forma de discriminação que se baseia na ideia de que pelo fato do ser humano considerar outros seres sencientes inferiores, ele ignora seus interesses em não sofrer.

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