Xavantes resgatam cultivo de batatas nativas no MT

Por meio dos vegetais, projeto visa reverter ou amenizar efeitos negativos das mudanças nos hábitos alimentares e a sedentarização

Anciãs e jovens xavantes coletaram 20 espécies de batatas silvestres que tradicionalmente faziam parte da alimentação do povo (Imagem: De volta às raízes: Uma tradição A’uwe nunca morre)

Visando reverter ou amenizar efeitos negativos das mudanças nos hábitos alimentares e a sedentarização, surgiu no Mato Grosso o Projeto Abahi Tebrezê, ação de mulheres xavantes voltada ao resgate do conhecimento tradicional, por meio da revitalização do cultivo de batatas nativas.

Inicialmente conduzido pelos homens, em 2017, as mulheres xavantes decidiram assumir o protagonismo das ações, argumentado que são elas as mais interessadas na recuperação da alimentação tradicional e no repasse de conhecimentos às meninas e aos meninos da comunidade.

O foco adotado pelas mulheres xavantes no desenvolvimento do projeto tem sido a revitalização da produção das batatas tradicionais, em especial a Mo’ôni, com expedições de coleta em diversos pontos do território e seu cultivo em canteiros demonstrativos.

O Abahi Tebrezê é uma iniciativa inspirada em ações anteriores de revitalização da alimentação tradicional xavante, entre eles, o projeto Dasa UptabiDe volta às raízes, que ocorreu entre 2004 e 2007.

O projeto Dasa Uptabi, coordenado pelo analista ecológico Frans Leeuwenberg, e que contou com participação de 57 mulheres xavantes das aldeias Tanguro, Papa Mel, Caçula e Pimentel Barbosa, nasceu da parceria entre as mulheres da comunidade xavante e a Sociedade de Proteção e Utilização do Meio Ambiente/Puma.

Num intercâmbio de conhecimento intergeracional, anciãs e jovens xavantes coletaram 20 espécies de batatas silvestres que tradicionalmente faziam parte da alimentação do povo, relembraram as formas de cultivo, as características de cada planta, as formas de comer e as indicações alimentares de cada tubérculo. Os resultados do Dasa Uptabi podem ser conferidos na cartilha De volta às raízes: Uma tradição A’uwe nunca morre. 

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