Sergei Yesenin, compaixão por cães velhos e animais do campo

Sergei Yesenin (1895-1925) foi um dos poetas russos mais influenciados por Tolstói. Mas foi o seu contato com o fisiologista Ivan Pavlov que fez com que ele abdicasse do consumo de todos os tipos de carne, do tabaco e do açúcar, segundo carta enviada ao amigo Grigory Panfilov. Em diversos poemas, Yesenin, que se inspirava na natureza e na realidade rural, revela o seu amor e compaixão por cães velhos, vacas, cavalos e outros animais do campo.

“De Naves-Éguas”, poema publicado em 1919:

Quando o lobo ulula para a lua
É porque as nuvens destroçaram o céu.
Ventres rasgados de éguas,
Negras velas de corvos ao léu.

O azul não cravará as garras
Do escarro-esgoto dos ciclones.
Desfolha-se ao nitrido das borrascas
O jardim auriconífero dos crânios.

Ouvis os sons que golpeiam o escuro?
São os ancinhos da aurora pelos prados.
Com remos de braços decapitados
Remais para a terra do futuro.

Navegai para os altos horizontes!
Lançai gritos de corvos do arco-íris!
Logo a árvore branca deixará cair
Uma folha amarela – a minha fronte.

5

Quero cantar, cantar, cantar, cantar!
Eu não ofenderei caba nem lebre.
Se há algo na vida que nos faz chorar,
Algo também nos faz ficar alegres.

A maçã da alegria todos portam,
Mas o assobio do ladrão nos ronda.
E o outono, sábio jardineiro, um dia corta
Uma folha amarela – a minha fronte.

Há uma só senda no jardim da aurora.
Vento de outubro corrói a floresta
Para conhecer tudo e não ter glória
Veio ao mundo poeta.

Veio para beijar as vacas
E ouvir no coração o triturar da aveia.
Cava, foice de versos, cava!
Vai, sol-arbusto, e flor-semeia!

Poema extraído de “Poesia Russa Moderna”. Coleção Signos 33. Sexta Edição. Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. Editora Perspectiva (2001).

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