Sergei Yesenin, compaixão por cães velhos e animais do campo

Yesenin foi um dos poetas russos mais influenciados por Tolstói

Sergei Yesenin (1895-1925) foi um dos poetas russos mais influenciados por Tolstói. Mas foi o seu contato com o fisiologista Ivan Pavlov que fez com que ele abdicasse do consumo de todos os tipos de carne, do tabaco e do açúcar, segundo carta enviada ao amigo Grigory Panfilov em novembro de 1912.

“Então parei de comer carne. Também não como peixe ou açúcar. Quero evitar tudo que tenha pele, mas não quero ser chamado de ‘vegetariano’. Por que tudo isso? Sou uma pessoa que encontrou a verdade.”

Em diversos poemas, Yesenin, que inspirava-se na natureza e na realidade rural, revela o seu amor e compaixão por cães velhos, vacas, cavalos e outros animais do campo.

“De Naves-Éguas”, poema publicado em 1919:

Quando o lobo ulula para a lua
É porque as nuvens destroçaram o céu.
Ventres rasgados de éguas,
Negras velas de corvos ao léu.

O azul não cravará as garras
Do escarro-esgoto dos ciclones.
Desfolha-se ao nitrido das borrascas
O jardim auriconífero dos crânios.

Ouvis os sons que golpeiam o escuro?
São os ancinhos da aurora pelos prados.
Com remos de braços decapitados
Remais para a terra do futuro.

Navegai para os altos horizontes!
Lançai gritos de corvos do arco-íris!
Logo a árvore branca deixará cair
Uma folha amarela – a minha fronte.

5

Quero cantar, cantar, cantar, cantar!
Eu não ofenderei cabra nem lebre.
Se há algo na vida que nos faz chorar,
Algo também nos faz ficar alegres.

A maçã da alegria todos portam,
Mas o assobio do ladrão nos ronda.
E o outono, sábio jardineiro, um dia corta
Uma folha amarela – a minha fronte.

Há uma só senda no jardim da aurora.
Vento de outubro corrói a floresta
Para conhecer tudo e não ter glória
Veio ao mundo poeta.

Veio para beijar as vacas
E ouvir no coração o triturar da aveia.
Cava, foice de versos, cava!
Vai, sol-arbusto, e flor-semeia!

Poema extraído de “Poesia Russa Moderna”. Coleção Signos 33. Sexta Edição. Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. Editora Perspectiva (2001).

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