Ataques a Luisa Mell são um retrato da oposição ao ativismo animal no Brasil

O incômodo talvez seja pelo fato de Luisa Mell ser vegana, o que significa que ela tem uma perspectiva diferenciada do valor da vida animal

Desde que chegou a Brumadinho, a ativista Luisa Mell tem atualizado seus seguidores por meio de transmissões em vídeo no Instagram (Imagens: Luisa Mell/IG)

Desde que chegou a Brumadinho, em Minas Gerais, onde aconteceu o rompimento da barragem da Vale, a ativista Luisa Mell tem atualizado seus seguidores por meio de transmissões em vídeo no Instagram. Na terça-feira de manhã, ela denunciou que alguns bovinos afetados pela lama de rejeitos estavam sendo abatidos a tiros.

O fato também foi noticiado por outros meios como o Estadão, Folha de S. Paulo, Terra, UOL, Estado de Minas, O Globo, etc. Ao denunciar isso, Luisa Mell não fez nada de errado. Afinal, ela é vegana e, como alguém que acredita que os animais objetificados e criados para consumo também são importantes, simplesmente está agindo como defensora da vida.

Na tarde de segunda-feira, o Estadão, que tem uma equipe em Brumadinho, foi o primeiro jornal a divulgar que animais estavam sendo abatidos a tiros por um agente a bordo de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Se ainda que somente um animal fosse morto à distância, mesmo que curta, e sem contato direto, isso significaria que ele não foi avaliado de corpo presente, então como alguém poderia afirmar que não havia mais nada a ser feito?

Não seria necessário estar diante do animal para examinar melhor a situação? E se alguém realmente estivesse junto de um boi atolado, por exemplo, isso já descartaria qualquer justificativa para uma execução a bordo de um helicóptero. Ainda assim, por causa da denúncia da Luisa Mell, não de outros veículos de imprensa, que inclusive divulgaram antes dela a execução de bovinos, alguns médicos veterinários têm compartilhado textos a desqualificando e mobilizando pessoas contra a ativista.

Será que esse tipo de atitude contribui mais para ajudar ou prejudicar a causa animal? O incômodo talvez seja pelo fato de Luisa Mell ser vegana, o que significa que ela tem uma perspectiva diferenciada do valor da vida animal. E a verdade é que a menos que você concorde que animais não são alimentos ou meios para um fim, dificilmente você vai entender a importância da defesa dos direitos animais.

Não podemos ignorar também que a Luisa Mell não lucra com os animais, mas muitos de seus críticos sim. Então é importante considerar que as críticas deles podem estar se voltando simplesmente para os próprios interesses. Parece-me que há uma tentativa de transformar a ativista vegana em uma personagem caricata e sensacionalista.

Mas isso é esperado, considerando que vivemos em um mundo onde a maioria acha normal reduzir vidas a produtos. Por isso, qualquer grande esforço em salvar uma vida não humana pode ser visto como utópico, absurdo ou como uma “despesa desnecessária”. Porém é essa “utopia” que tem permitido resgatar alguns animais como o boi içado com o auxílio de um helicóptero na última terça-feira.

Infelizmente, o desprezo pelo ativismo em prol dos animais não é tão incomum, basta analisar os comentários nas páginas dos grandes meios de comunicação sobre a situação dos animais em Brumadinho. Mas será que essas pessoas que criticam os ativistas fazem algo por alguém? Realizam trabalhos sociais, salvam vidas? A julgar pela ausência de empatia, honestamente julgo improvável.

Estamos imersos em um mundo onde aqueles que não lutam por nada que não diz respeito a si mesmos se unem para criticar aqueles que tentam fazer algo pelos outros. E nesse caso, quando se opõem aos ativistas, ainda contribuem irrefletidamente com a Vale, uma empresa mineradora avaliada em centenas de bilhões de dólares que desde sexta-feira, quando a barragem do Córrego do Feijão se rompeu, pouco fez pelos animais que prejudicou e matou.

7 COMENTÁRIOS

  1. Tem todo meu respeito e admiração.
    Só jogam pedras em quem sai da zona de conforto para falar pelos que não tem voz.
    Esses que criticam, com ctz não fazem absolutamente nada.

  2. “Arvore que dá fruto é o que mais leva pedrada.” Ela é corajosa e coloca a Etica acima de conceitos pobres que muitos veganos possuem como diretriz da causa. Ela ama todos os animais sem distinção de especie, coisa que nao vejo claramente em alguns veganos. Ela briga por todos como brigaria por nós, por cães e por gatos. Maravilhosa. Tem luz própria e seu brilho incomoda os recalcados de plantão prontos pra criticar apenas. Dos não veganos que a criticam nem levo em consideraçao pois eles não tem nem uma ínfima condição moral pra critica-la, vejo como criticas sem nenhuma noção. Ela sempre terá meu respeito, meu apoio e minha imensa admiração. DIVA DE CORAÇAO GRANDE. Quero ver essas que criticam, fazer o que ela faz ou melhor que ela faz. Aí a pessoa terá moral pra criticar

  3. Sou vegana e da Causa Animal e tenho críticas a respeito de intervenções que não buscam conversar com todos envolvidos que estavam lá desde sábado passado.
    As pessoas precisam tem que ter tato e respeito e buscar a conciliação.
    Porque senão sempre os protetores dos animais passam por pessoas desequilibradas.autoritarios e arrogantes.
    Temos saber negociar, sempre.
    A não ser em casos como os Laboratórios Royal, mas cada caso é diferente do outro. Bom senso sempre é bom.

  4. Até hoje tenho em minha mente uma imagem de cortar coração. Ao passar em frente a um abatedouro de animais no Catete Rio de Janeiro, uma mãe de caprino com seu filhote espremidos em uma pequena jaula em frente a loja, confesso que até hoje ainda choro quando lembro. Graças a Deus esse local não existe mais.

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