Deputados da bancada ruralista comandarão Comissão de Meio Ambiente

Covatti Filho tem uma trajetória voltada ao ruralismo. Já o segundo vice-presidente é o ruralista Neri Geller, que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária

Fotos: Alex Ferreira/Câmara

O ex-secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio Grande do Sul (2019-2021), deputado Covatti Filho (PP-RS), foi eleito ontem (27) como novo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara.

Membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também conhecida como bancada ruralista, Filho tem uma trajetória voltada ao ruralismo, o que indica que provavelmente sua prioridade será não permitir que interesses ambientais se sobreponham a interesses rurais.

É importante destacar que a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável é essencial para o avanço de projetos de lei voltados à preservação ambiental e à defesa dos animais. Afinal, é a comissão em que esses interesses devem ser priorizados.

É previsível que comissões como a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento priorizem as demandas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). No entanto, estranho é encontrar nomes que seriam mais facilmente associados a esse tipo de comissão no comando da Comissão de Meio Ambiente.

Como segundo vice-presidente da comissão está o ruralista Neri Geller (PP-MT) que é vice-presidente da FPA. Como relator, ele já votou pela aprovação do reconhecimento do rodeio crioulo como “atividade da cultura popular”, uma iniciativa de Giovani Cherini por meio do PL 6575/2019.

Geller também foi um dos parlamentares que garantiu a aprovação do PL 3729/2004 em 2021, que retira a exigência de licenciamento ambiental para 17 atividades e coloca em risco unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas.

Nos últimos anos, a Comissão de Meio Ambiente tem sido utilizada para facilitar a aprovação de projetos convergentes aos interesses da bancada ruralista, e ao mesmo tempo em que amplia a resistência contra propostas voltadas ao ambientalismo ou bem-estar animal e defesa animal. Ou seja, a comissão tornou-se um meio de priorizar o econômico, principalmente práticas conservadoras, não sustentáveis, em detrimento de qualquer outra consideração.

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