Dietas à base de vegetais podem ajudar no combate à desertificação

Conclusão é do relatório "Seca em Números", da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação

“Precisamos proteger e administrar as terras por meio de melhores práticas de produção e consumo” (Foto: Pixabay)

Iniciada no dia 9 em Abdijan, na Costa do Marfim, a 15ª sessão da Conferência das Partes (COP15) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, que termina no dia 20, divulgou ontem (12) um documento em que chama atenção para a importância das dietas à base de vegetais – como uma forma de ajudar no combate à desertificação e às severas estiagens, considerando o seu menor impacto ambiental em relação à produção de proteína animal.

No relatório intitulado “Seca em Números”, é destacado que as mudanças climáticas, que têm a pecuária como principal causa agrícola, estão agravando as secas e ampliando processos de desertificação. O documento aborda a adoção de medidas e projetos de infiltração de água no solo.

Esse tipo de “restauração” poderia reduzir a estimativa de 700 milhões de pessoas sendo obrigadas a deixarem suas casas até 2030 por estarem em regiões de maior vulnerabilidade às estiagens e à desertificação.

No entanto, no mesmo documento é ressaltado que a “restauração” não é suficiente. “Precisamos proteger e administrar as terras por meio de melhores práticas de produção e consumo”, consta.

“Em relação à agricultura, isso significa técnicas de gestão sustentáveis e eficientes que produzam mais alimentos em menos terra e com menos água. Em relação ao consumo, isso significa mudar nossas relações com os alimentos, fazendo uma transição para dietas à base de vegetais, reduzindo ou interrompendo o consumo de animais.”

De acordo com o relatório “Seca em Números”, devemos entender que a seca é complexa, com uma série de causas e impactos. “Não devem ser considerados isoladamente. Precisamos de coordenação, comunicação e cooperação, impulsionada por financiamentos e vontade política.”

O secretário executivo da UNCCD, Ibrahim Thiaw, frisa que “os fatos e números da publicação apontam todos na mesma direção: uma trajetória ascendente na duração das secas e na gravidade dos impactos, afetando não apenas as sociedades humanas, mas também os sistemas ecológicos sobre os quais depende a sobrevivência de toda a vida, incluindo a de nossa própria espécie”.

Só em 2022, conforme levantamento da ONU, mais de 2,3 bilhões de pessoas estão enfrentando problemas hídricos associados aos impactos ambientais, e quase 160 milhões de crianças estão expostas a secas severas e prolongadas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a porcentagem de plantas afetadas pela seca mais que dobrou nos últimos 40 anos – com cerca de 12 milhões de hectares de terra perdidos a cada ano em consequência da estiagem e da desertificação.

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