A crescente demanda por alternativas mais éticas e ecológicas tem feito das matérias-primas de origem vegetal a maior aposta de um mercado que considera o impacto ambiental da produção de couro – subproduto do abate de animais.
Hoje as empresas mais inovadoras do ramo estão investindo em fibras criadas a partir do abacaxi, laranja, uva, maçã, cactos, kombucha e fungos, além de folhas de cânhamo e de oliveira, entre outras matérias-primas que permitem criar um material que substitui o couro e ainda oferece qualidade, durabilidade e apelo estético.
Outro fator de diferenciação é que cada vez mais o couro vegetal tem sido desenvolvido a partir de resíduos que seriam descartados ou subutilizados pela indústria alimentícia, o que também reforça o seu papel contra o desperdício – um indicativo de compromisso com a sustentabilidade.
Em inúmeros casos, há também o comprometimento em adquirir matérias-primas de pequenas comunidades agrícolas, valorizando a agricultura familiar, como é o caso da produção do Piñatex, desenvolvido pela designer espanhola Carmen Hijosa.
A fibra criada a partir do abacaxi é um dos exemplos mais bem-sucedidos desse ramo, já que seu produto vem conquistando mercado em vários continentes – atraindo empresas também do Brasil, como a Insecta, que em janeiro anunciou uma coleção baseada no Piñatex.
Nos últimos anos, empresas também estão investindo no plástico recolhido dos oceanos, que prejudica a vida marinha e o meio ambiente em geral, para recriarem alternativas ao couro – principalmente na indústria de calçados casuais ou voltados à prática de esportes.
Com o “couro vegano” ganhando bastante espaço, um relatório divulgado em fevereiro pela empresa de pesquisa global de mercado Infinium aponta que esse mercado deve valer o equivalente a mais de R$ 418 bilhões até 2025, com uma taxa de crescimento anual composta de 49,9%.
Além disso, o couro de origem não animal está longe de ser associado apenas com a indústria de vestuário. O produto já é utilizado também na indústria de móveis e automóveis, inclusive recentemente a Mercedes-Benz anunciou seus planos de incluir a matéria-prima nos seus veículos.
Outra vantagem do “couro vegano” é que há muita pesquisa visando o seu aperfeiçoamento em conformidade com a busca por mais qualidade e diversidade aliadas à sustentabilidade e comércio justo.
Segundo a empresa de pesquisa de mercado Infinium, fabricantes estão firmando parcerias estratégias para não perderem a sintonia com as novas tendências. Outro fator de diferenciação é que os fornecedores estão buscando otimizar seus processos de controle de qualidade.
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Apesar de não ser do conhecimento de todos, a Lei 4.888 vigora desde a década de 60. Assinada na época pelo Presidente da República, a lei proíbe a utilização do termo couro em produtos que não sejam obtidos exclusivamente de pele animal.
A sua infração constitui crime de concorrência desleal previsto no artigo 195 do Código Penal, cuja pena é detenção do infrator de 3 meses a 1 ano ou multa.
Lei n° 4.888, de 9 de dezembro de 1965.
Chame de qualquer coisa menos de couro, um material de origem vegetal.
Caso queira discutir sobre o couro e todos os processo que envolve uma indústria sustentável estou a disposição.
Olá! Como faço para achar fornecedores desses materiais? Onde comprar o Piñatex ou o laminado de mação, uva ou cacto? Sabe me informar?
Obrigada!