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Futuro do leite está nas plantas

“Além disso, o aumento da população vegana alimenta o crescimento do mercado” (Acervo: Ingredients Network)

Não é nenhuma novidade que as alternativas aos leite estão conquistando cada vez mais consumidores em diferentes partes do mundo – seja em decorrência da preocupação com o bem-estar animal, impacto ambiental da produção leiteira ou saúde. E exatamente como reflexo disso a projeção do mercado de alternativas aos laticínios para os próximos anos é cada vez mais otimista. Afinal, as vendas crescem em proporção ao interesse do consumidor.

De acordo com uma pesquisa concluída neste mês de dezembro pela empresa de pesquisa global de mercado Allied Market Research, a previsão é de que o setor movimente no mundo todo pelo menos 35,8 bilhões de dólares até 2026, com uma taxa de crescimento anual composta de 13,6%; percentual inimaginável hoje para o setor leiteiro.

Segundo o relatório, a cada ano tem aumentado muito a demanda por alternativas à base de plantas (como soja, aveia, amêndoas, coco, arroz, etc), e a população está se tornando mais consciente dos benefícios dos produtos não lácteos.

“Além disso, o aumento da população vegana alimenta o crescimento do mercado”, informa. Porém o relatório acrescenta ainda que o custo da matéria-prima à base de plantas é o que se apresenta atualmente como uma barreira para que esse mercado se torne muito mais popular entre os consumidores em curto prazo.

“O aumento de consumidores alérgicos aos laticínios e a inovação em sabores são fatores que devem criar oportunidades lucrativas em um futuro próximo.” Outro ponto apontado como positivo é que as alternativas não lácteas têm permitido um cenário com mais diversidade de empresas e marcas no mercado, favorecendo não apenas grandes grupos, como ocorre no setor leiteiro.

Vale lembrar que este ano a Research and Markets publicou uma pesquisa apontando uma estimativa ainda mais positiva do que a da Allied Market Research. Segundo a primeira, é possível que até 2024 o setor de alternativas aos laticínios movimente até 38 bilhões de dólares.

A justificativa é que nos últimos anos o setor vem conquistando consumidores que estão substituindo os laticínios por produtos à base de vegetais, e a tendência é que esse crescimento se acentue cada vez mais em médio e longo prazo, e por diferentes razões.

Veganismo, vegetarianismo, busca por alternativas mais saudáveis, intolerância à lactose e preocupação com o meio ambiente são alguns fatores que tem feito com que o mercado se volte não apenas para a produção de leites vegetais, mas também de queijos, iogurtes e sorvetes à base de vegetais, que hoje são os produtos com maior demanda de diversidade por parte dos consumidores, segundo o relatório.

Outro ponto é que o mercado de não lácteos está se beneficiando com a crise no mercado leiteiro, e prevê que em até dois anos é possível que os preços se tornem mais competitivos. Também há uma projeção de que até 2024 não será difícil encontrar diversidade de alternativas vegetais com preços facilmente equiparáveis e até mesmo mais acessíveis se comparadas aos produtos lácteos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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