Incêndios consomem 2,9 milhões de hectares no Pantanal

Situação já afetou 580 espécies de aves, 280 de peixes, 174 de mamíferos, 131 de répteis e 57 de anfíbios, além de pelo menos duas mil espécies de plantas

Ângelo Rebelo: “Não temos preparação nem capacidade financeira e operacional para enfrentar o que estamos enfrentando” (Mauro Pimentel/AFP)

Em entrevista veiculada ontem (18) pela Rádio Câmara, o diretor do Instituto do Homem Pantaneiro, coronel Ângelo Rabelo, disse que não há diálogo entre governantes e cientistas sobre os mais urgentes problemas ambientais e reclamou das políticas públicas para o Pantanal, que já perdeu 2,9 milhões de hectares de vegetação nativa para os incêndios, o que equivale a 20% de todo o seu território.

“Não temos preparação nem capacidade financeira e operacional para enfrentar o que estamos enfrentando. Há fatores climáticos mostrados pela ciência e que são indiscutíveis. Aqui no Pantanal, os brigadistas são contratados a partir de julho, mas estou combatendo o fogo desde fevereiro.”

Até a semana passada só o Mato Grosso do Sul havia perdido mais de um milhão de hectares de vegetação. A situação em todo o Pantanal, que vive o seu pior período de queimadas, já afetou 580 espécies de aves, 280 de peixes, 174 de mamíferos, 131 de répteis e 57 de anfíbios, além de pelo menos duas mil espécies de plantas.

Também em entrevista à Rádio Câmara, a especialista em Amazônia e pesquisadora da Universidade de Oxford, Erika Berenguer, disse que é preciso criar um sistema de previsão de secas extremas associado a alertas e monitoramento de incêndios em tempo real.

Ela também defende o fortalecimento e expansão de programas de sistemas agrícolas alternativos às queimadas e o fortalecimento dos comitês estaduais de gestão do fogo, bem como a redução imediata do desmatamento.

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