Um inimigo dos animais, o deputado federal Paulo Bengtson (PTB-PA) não conseguiu garantir uma das 17 vagas do Pará na Câmara para o período 2023-2026. Embora Bengtson seja mais conhecido por ativistas dos direitos animais por ser autor do Projeto de Lei 318/2021, que propõe o reconhecimento da exploração de animais com fins econômicos, incluindo entretenimento, como “patrimônio cultural imaterial”, suas ações prejudiciais aos animais não se resumem a essa proposta.
Nos últimos três anos, Bengtson fez oposição a uma série de ações em benefício dos animais, assim como tem apoiado outras que visam não apenas perpetuar o uso de animais para os mais diversos fins, mas fortalecê-lo.
O deputado votou contra o Projeto de Lei 5949/2013, que propõe a proibição do abate de cavalos, mulas e jumentos. Já como relator do Projeto de Lei 2452/2011, de Efraim Filho (DEM-PB), que visa reconhecer a vaquejada como “atividade desportiva formal”, emitiu parecer favorável.
Paulo Bengtson “justificou” que a vaquejada, o rodeio, e as variações locais de “esportes equestres” não gozam da mesma reputação do hipismo, no entanto, “não são expressões menores de atividades esportivas, e vem da mesma ligação entre o homem e o cavalo.”
Além disso, foi escolhido várias vezes como relator de PLs na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. O deputado também é um dos apoiadores do Projeto de Lei 4583/2020, de Jerônimo Goergen (PP-RS), que visa a implantação de um novo programa de indenização para pecuaristas em caso de “sacrifício de animais”. Paulo Bengtson emitiu parecer favorável à proposta duas vezes em 2021.
Ele ainda se opõe ao Projeto de Lei 4705/2020, que prevê a proibição do comércio de animais silvestres. Como relator da proposta na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Paulo Bengtson votou pela rejeição, ou seja, sendo contra mais um PL em benefício dos animais.
Também em 2021, ele rejeitou o Projeto de Lei 1355/2021, que tem o objetivo de proibir que práticas cruéis contra os animais sejam elevadas a patrimônio cultural imaterial.
Surpreende o fato de ter sido permitido na Câmara que um deputado que tem um projeto de lei que visa reconhecer como “patrimônio cultural imaterial” o uso de animais com fins de consumo, assim como meio de transporte (charretes, carroças, lida no campo e carro de boi) e em práticas como hipismo, corridas, inclusive de pombos), tenha sido relator de uma proposta contra a crueldade animal, já que há um óbvio conflito de interesses.
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