JBS é acusada de mentir sobre comprometimento contra o desmatamento

“Mais de 50% do gado para exportação da JBS vem de fora da Amazônia, de lugares onde não há políticas [consistentes] ou monitoramento em vigor"

“O compromisso da JBS é insuficiente, simplesmente o mais recente em uma longa linha de compromissos públicos sem continuidade” (Fotos: JBS/Greenpeace)

A organização ambiental Mighty Earth está acusando a brasileira JBS, maior indústria de processamento de carne do mundo, de ser mentirosa ao anunciar um compromisso de zerar sua contribuição ao desmatamento da Amazônia não comprando mais gado criado em áreas ilegais.

Segundo a Mighty Earth, embora a JBS tenha conquistado manchetes positivas na imprensa brasileira recentemente, a empresa vem falando há mais de dez anos que deixará de comprar gado de áreas desmatadas, no entanto, a situação não mudou de lá pra cá.

“O compromisso da JBS é insuficiente, simplesmente o mais recente em uma longa linha de compromissos públicos sem continuidade”, critica a Mighty Earth, acrescentando que nenhuma outra atividade gera tanto desmatamento no Brasil quanto a pecuária.

A organização também avalia o suposto compromisso com a Amazônia como pouco significativo diante do tamanho da cadeia de abastecimento da JBS, que também recebe gado de outros biomas que sofrem com o desmatamento ilegal – como é o caso do Cerrado.

Defender apenas a Amazônia não é suficiente

“Mais de 50% do gado para exportação da JBS vem de fora da Amazônia, de lugares onde não há políticas [consistentes] ou monitoramento em vigor. Esse número é provavelmente maior para toda a cadeia de suprimentos. O compromisso também exclui qualquer preocupação com o desmatamento legal de acordo com a legislação brasileira, apesar dos impactos significativos sobre a biodiversidade, as populações locais e as mudanças climáticas.”

Nesse ritmo, a ONG prevê que a criação de gado pode provocar um desmatamento equivalente a duas vezes a área da Suécia.

“No ritmo atual de desmatamento, até 2025 – quando a JBS planeja monitorar efetivamente uma pequena parte de sua cadeia de suprimentos na Amazônia – mais de 25 mil quilômetros quadrados terão sido desmatados somente no Cerrado”, avalia.

E acrescenta: “Uma área do tamanho da Bélgica, lar de uma biodiversidade insubstituível, de comunidades indígenas e valiosos sumidouros de carbono, será perdida. Isso é terrivelmente insuficiente.”

A Mighty Earth também diz que é preciso responsabilizar os grandes compradores da carne produzida pela JBS, que inclui as grandes redes de supermercados.

“Supermercados e outros varejistas continuam a ignorar o verdadeiro custo das violações ambientais e de direitos humanos da JBS. É preciso enviar um sinal claro de que fazer negócios dessa forma não deve ser mais tolerado. Ninguém quer fazer compras em um local que faz negócios com destruidores de florestas.”

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