Não reduza os coelhos a presentes de Páscoa

Nem mesmo a adoção de coelhos nessa época do ano tende a ser algo tão positivo

Animais não têm preocupação estética, e submetê-los a algo desnecessário porque é do nosso agrado é simplesmente um capricho (Foto: Nadine Rupp/Getty Images)

Nesse período que antecede a Páscoa, muitos estabelecimentos comerciais do Brasil e vendedores independentes veem uma oportunidade de lucrar comercializando coelhos. Mas será que é uma boa ideia?

Além do comércio atribuir ao coelho um status de presente ou brinquedo, não de um ser cheio de vida com necessidades e interesses específicos de sua espécie, ainda favorece abandono e maus-tratos.

Isso acontece porque a aquisição de um coelho durante a Páscoa está mais associada a um anseio efêmero, não exatamente a um genuíno apreço pelo animal. Há uma relação com o status simbólico de “coelho da páscoa”, que povoa o ideário das crianças nessa época do ano.

E crianças dificilmente racionalizam todas as responsabilidades da tutela de um animal, o que exige intervenção e auxílio da família. Sendo assim, é imprescindível o entendimento de que um coelho demanda responsabilidade para a vida toda do animal, já que animais domésticos requerem cuidados humanos, o que inclui tempo e despesas.

Nem mesmo a adoção de coelhos nessa época do ano tende a ser algo tão positivo, já que é difícil filtrar se a intenção de quem adota é cuidar do animal ou simplesmente descartá-lo ao final da Páscoa, ou pouco tempo depois – como acontece com muitos coelhos no Brasil.

E como se não bastasse, há pessoas que comercializam coelhos coloridos, pintados. Infelizmente, isso acontece porque há compradores. Mesmo que tal ato seja considerado legal, não deixa de ser um exemplo de crueldade contra esses animais que mais tarde tendem a ser descartados como objetos.

Animais não têm preocupação estética, e submetê-los a algo desnecessário porque é do nosso agrado é simplesmente um capricho. Ademais, pintá-los pode ter consequências, se não para a saúde física do animal, em decorrência da toxicidade (dependendo da tinta), provavelmente para a saúde psicológica e emocional. Afinal, que direito temos de privar um animal de sua cor natural? Não há justificativa, seja para pintá-los ou tratá-los como brinquedos de Páscoa.

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