Onças são mortas no Brasil e comercializadas no Suriname

Além das onças, as jaguatiricas também são visadas na produção de supostos medicamentos e suplementos alimentares

“Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul” (Foto/Acervo: Proteção Animal Mundial)

Uma investigação realizada pela organização Proteção Animal Mundial revelou que onças estão sendo mortas no Brasil e comercializadas no Suriname. De lá, as partes dos animais são exportadas para a China, onde são usadas com fins medicinais.

Após a caça, as onças passam por um processo de cozimento que dura até uma semana para serem reduzidas a uma pasta preta. Outras partes do corpo, como os dentes, são exportadas ou vendidas para serem utilizadas com outra finalidade, inclusive adereços.

“O resultado da investigação é muito triste. Foi revelado um comércio clandestino e cruel, que explora um animal icônico das florestas tropicais da América do Sul para uma medicina que nem mesmo foi comprovada”, declara Roberto Vieto, da Proteção Animal Mundial no Brasil.

Em um dos casos investigados, uma onça foi atingida por sete tiros antes de morrer. Evidências apontam ainda que além da matança de onças, os filhotes são recolhidos e vendidos. “Eles vivem em gaiolas até ficarem grandes, e às vezes acabam na mesa, já que sua carne também é consumida entre a população chinesa do Suriname”, destaca Vieto.

A captura de onças com a finalidade de atender ao mercado chinês começou a ganhar força com a queda nas populações de tigres na Ásia. Hoje, além das onças, as jaguatiricas também são visadas na produção de supostos medicamentos e suplementos alimentares.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, atualmente há 173 mil onças-pintadas na natureza. No entanto, com a perda de habitat em decorrência da exploração madeireira e da agropecuária, as onças têm se tornado alvos cada vez mais fáceis para caçadores, o que gera grande preocupação.

Além disso, o que pode complicar ainda mais a situação é que o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) entrou com um pedido de desarquivamento do projeto de lei nº 6.268/2016 na Câmara dos Deputados. O PL de autoria do ex-deputado Valdir Colatto (MDB-SC) prevê a liberação da caça de animais silvestres no Brasil.

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