Pintor inglês retrata degradação dos animais que comemos

Trabalho de Philip McCulloch-Downs traz uma preocupação em expor a realidade, captando situações diárias em que os animais são subjugados pela humanidade

Bovinos, suínos e galináceos são os animais mais consumidos no mundo (Pinturas: Philip McCulloch-Downs)

Atuando como ativista vegano desde 2005 e como artista dos direitos animais desde 2014, o pintor inglês Philip McCulloch-Downs tem atraído atenção para a degradação animal financiada pelo consumo humano.

Seu trabalho traz uma preocupação em expor a realidade, captando situações diárias em que os animais são subjugados de diferentes formas pela humanidade. Bovinos, suínos e galináceos são os animais mais consumidos no mundo e, sob o pincel de McCulloch-Downs, manifestam impotência, medo, terror e surpresa.

Em algumas de suas obras há um caráter perscrutador, de arguição, como se os animais estivessem nos observando e perguntando: “O que vocês estão fazendo? Por que estamos aqui? Por que merecemos esta vida?”

Sofrimento é translúcido e realista

O sofrimento em suas pinturas é translúcido e realista, porque não mimetiza expressões que fogem à realidade. Muito pelo contrário – traz uma honestidade que pode ser desconfortável até para quem vê animais como alimentos e outros produtos.

Abordando a exploração animal, o pintor também explora temas como a solidão diante da subjugação. Exemplo é a realidade de animais forçadamente afastados de seus semelhantes ou que têm um contato limitado pelas “regras da indústria”.

Philip McCulloch-Downs cria pequenos cenários ricos em detalhes que representam o afunilamento da existência desses animais mortos na precocidade, e que são impedidos de gozar de algum tipo de liberdade. Podemos encontrar isso, por exemplo, em cenas de bezerros em isolamento e porcas mantidas em gaiolas de gestação, separadas de seus filhos.

Achatamento da perspectiva, incômodo e consciencioso

O achatamento da perspectiva nas obras do pintor inglês é outro elemento incômodo, porém consciencioso, porque também reproduz com fidelidade o fato de que muitos animais são mantidos amontoados em um ambiente, de onde, mais cedo ou mais tarde, sairão apenas quando engordarem o suficiente para serem mortos.

Tal fato diz respeito tanto a suínos e galináceos quanto bovinos. Basta pensarmos nos galpões com porcos e frangos amontoados ou galinhas poedeiras mantidas em gaiolas, e de onde dificilmente sairão com vida. O mesmo vale para os bovinos em confinamento ou transportados em sistema de aglomeração por longas distâncias – e até mesmo para outros países.

Pinturas também evidenciam outra faceta

As pinturas de McCulloch-Downs também evidenciam outra faceta pouco considerada pela maioria da população, que é a morte de animais criados para consumo muito antes do abate, ou seja, como consequência de doenças que eles contraem em confinamento.

Ou seja, graças à intervenção humana baseada na conveniência de costumes e de rentabilidade. Afinal, é bastante cômodo suplantar espécies vulneráveis que, em poucos casos, reconhecem que quem os alimenta é exatamente quem lucra com suas mortes.

“Sempre tive uma aversão ao consumo de carne”

“Sempre tive uma certa aversão ao consumo de carne e, de acordo com meus pais, quando criança, fui a uma viagem escolar até uma fazenda local e, em vez de ser tranquilizado pelos cenários rurais idílicos que vimos, cheguei em casa realmente perturbado”, conta Philip McCulloch-Downs.

Mas foi só aos 19 anos que ele parou de consumir carne. “Eu estava no carro, parei nos semáforos e um caminhão que transportava ovelhas para serem abatidas parou ao meu lado. Na verdade, eu estava voltando para casa depois de assistir a um filme de terror chamado ‘Hellbound’, que foi muito adequado para descrever a cena com a qual de repente me deparei.”

Sua namorada na época perguntou como ele poderia justificar o consumo de carne enquanto via aquilo. “E eu não pude. Então foi isso. Me tornei vegetariano naquele momento.”

Saiba Mais

Philip McCulloch-Downs tornou-se ativista vegano por influência do livro “We Animals”, da fotojornalista canadense Jo-Anne McArthur, criadora do projeto We Animals. Clique aqui e conheça sua história.

Acompanhe o trabalho de Philip McCulloch-Downs:

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