Projeto expõe violência que chega ao nosso prato

“Mais do que credos, modelos de organização política, ou cultura, em toda a sociedade os animais são oprimidos e submetidos a uma violência sem limites”

“A história nos ensina que para combater e pôr fim a uma injustiça é necessário primeiro torná-la visível para poder reconhecê-la” (Fotos: Aitor Garmendia/Tras Los Muros)

Tudo que consumimos tem uma história e, quando se trata de alimentos de origem animal, é impossível não reconhecer que não há carne sem morte, e a subtração da vida de quem não quer morrer é uma obliteração contra a sua própria vontade em não ceder.

Reconhecendo isso, o fotojornalista Aitor Garmendia criou o projeto “Tras Los Muros”, que traz séries fotográficas que mostram a realidade por trás de muito do que é consumido pela humanidade sem a consideração de seu impacto.

“Mais do que credos, modelos de organização política, ou cultura, em toda a sociedade os animais são oprimidos e submetidos a uma violência sem limites”, destaca Garmendia, acrescentando que o tempo todo animais são mercantilizados e submetidos a tiros, esfaqueamentos, eletrocussões, confinamento e outros tipos de violência.

A crença de que o “sacrifício [não humano] vale o benefício” é o imperativo desse universo de subjugação não humana. Para Aitor Garmendia, expor a violência vivida no cotidiano pelos animais é uma forma de descortinar a ilusão propagada pelas campanhas publicitárias, embora seja importante também reconhecer que com um pequeno esforço, todos podemos ter uma ideia do que passam os animais em diversos contextos.

Em “Tras Los Muros”, o fotojornalista expõe a violência associada à percepção individual de cada criatura diante da privação, sofrimento e morte. Expressões carregadas de terror, medo e desespero evidenciam tanto a capacidade emocional dos animais, que podem transitar por um turbilhão de sensações e emoções, quanto seu poder de rejeição à situação, ainda que incapazes de fazer prevalecer qualquer vontade.

Por meio de fotos, Garmendia endossa que as manifestações individuais não humanas são diversas e podem ser até mesmo de confiança antes do primeiro ou último golpe que subtrai o vigor e a vida. Evidente também é a miséria contextual, e o distanciamento entre vítima e autor – já que quem explora ou mata não reconhece o alvo de violência como uma criatura digna de viver, ou nem mesmo uma criatura – por força da mecânica do fazer.

“Quando nos perguntamos o que nos leva a nos mobilizarmos contra as injustiças de que os animais são vítimas, a imagem ou a soma delas que atinge nossa consciência é o que nos torna responsáveis”, declara Garmendia.

O projeto “Tras Los Muros”, que também denuncia a subjugação e morte de animais em outras indústrias, é um reforço ao fato de que toda a violência contra não humanos sencientes é resultado das nossas relações de consumo. Se consumimos um produto associado à essa violência, devemos nos reconhecer como financiadores.

“A história nos ensina que para combater e pôr fim a uma injustiça é necessário primeiro torná-la visível para poder reconhecê-la”, frisa o fotojornalista.

E acrescenta: “A indústria de exploração animal é uma das mais poderosas do mundo e, conhecendo a força das imagens, toma muito cuidado para ocultar o que está acontecendo atrás dos muros de seus centros de exploração (fazendas, incubatórios, laboratórios, matadouros…) e a dor profunda que é emanada deles.”

Acompanhe o projeto Tras Los Muros:

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