Relatório do IPCC destaca que o sistema alimentar precisa se distanciar da pecuária

Documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é endossado por 270 pesquisadores de 67 países

Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

De acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), “Mudanças Climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade”, o sistema alimentar global precisa se distanciar da pecuária.

O documento é endossado por 270 pesquisadores de 67 países e chama atenção para a necessidade de uma mudança na produção e consumo de alimentos para evitar impactos ambientais mais graves.

“Uma mudança alimentar em regiões com consumo excessivo de calorias e de alimentos de origem animal para uma maior proporção de alimentos à base de vegetais com maior diversidade e redução do consumo de alimentos de origem animal e de alimentos não saudáveis (conforme definido por painéis científicos como o EAT Lancet), proporciona benefícios de mitigação e adaptação, juntamente com a redução da mortalidade por doenças não transmissíveis relacionadas à dieta, saúde, biodiversidade e outros cobenefícios ambientais”, destaca o relatório.

“Subsídios direcionados a alimentos de origem animal podem ser direcionados para a produção diversificada de alimentos à base de vegetais, a fim de alterar o preço relativo dos alimentos e, portanto, a escolha alimentar.”

O documento também frisa que as estratégias de marketing usadas para promover produtos de origem animal devem ser usadas para estimular o consumo de alimentos à base de vegetais.

Considerando a expansão agropecuária e o risco que isso gera aos espaços naturais e aos ecossistemas, é importante citar outra observação feita no relatório:

“Proteger a biodiversidade e os ecossistemas é fundamental para o desenvolvimento resiliente ao clima, à luz das ameaças que as mudanças climáticas representam para eles e seus papéis na adaptação e mitigação. Análises recentes, com base em uma série de linhas de evidência, sugerem que a manutenção da resiliência da biodiversidade e das funções do ecossistema em escala global depende da conservação efetiva e equitativa de aproximadamente 30% a 50% da terra, água doce e áreas oceânicas, incluindo ecossistemas atualmente quase naturais.”

O relatório também ressalta a importância da formação de parcerias. “O desenvolvimento resiliente ao clima é facilitado pelo desenvolvimento de parcerias com grupos tradicionalmente marginalizados, incluindo mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades locais e minorias étnicas. Essas parcerias são mais eficazes quando apoiadas por lideranças políticas, instituições…”

Clique aqui para saber como a agropecuária gera grandes problemas ambientais no Brasil

Clique aqui para ler o relatório completo.

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