Categorias: Destaques

Tecnologia agroalimentar visa acabar com uso de animais como fontes de proteínas

(Fotos: Jo-Anne McArthur/We Animals/Protein Brewery)

Na Holanda, a tecnologia agroalimentar já é considerada uma grande aliada na missão de acabar com o uso de animais como fontes de proteínas.

E não por acaso, já que o mais recente desenvolvimento desse segmento se volta especificamente para a substituição do uso de animais como alimentos, e mirando um futuro em que proteínas produzidas a partir de matérias-primas classificadas como mais baratas, incluindo batata, beterraba, milho e mandioca, possam estar ao alcance da população global.

Esta pelo menos é a meta citada pela Protein Brewery, fundada na Holanda por Wim de Laat, que tem desenvolvido proteínas a partir desses ingredientes há sete anos, mas, por enquanto, apenas em “nível laboratorial”, segundo informações da Innovation Origins.

O que motivou a empresa a investir nesse segmento é o reconhecimento de que o atual sistema de produção de proteínas no mundo é a parte mais insustentável da alimentação humana, considerando uso de terra, água e energia, além de superprodução de nitrogênio e crueldade animal.

“Sem emissões de nitrogênio, sem sofrimento animal…”

“Sem emissões de nitrogênio, sem sofrimento animal e muito menos uso intensivo do solo, podemos atender todas as necessidades de proteínas da população mundial”, garante Wim de Laat, de acordo com a Innovation Origins.

Em 2020, a Protein Brewery, sediada em Breda, no Brabante do Norte, recebeu o seu primeiro grande investimento, equivalente a mais de R$ 138 milhões, possibilitando uma implementação comercial que será a próxima etapa de seu plano de produzir proteínas que possam substituir o uso de animais e com alcance global e custo acessível.

“Em 2021, teremos nossa primeira fábrica, mas em parte devido às regulações, levará mais três anos antes que possamos realmente começar a atender ao mercado em grande escala.”

Wim de Laat explica que o processo de produção de novas proteínas é baseado em fermentação, e que utilizando batata, beterraba, milho, mandioca e cana-de-açúcar é possível produzir proteína o suficiente para dispensar o uso de animais, e simplesmente dobrando a área de produção desses alimentos.

Clique aqui para saber mais sobre o assunto.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • Pecuaristas não devem gostar nada desta ideia que veganos aplaudem de pé. Se pecuária não apostar todas as fichas na agricultura, vai dançar.

  • Alimento do futuro, ou os pecuaristas se de a oportunidade de evoluir, ou morra com seus ideias ultrapassados do qual explora animais 😂 pessoas irá optar por alimentação saudáveis !

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

7 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago