Canadá investe mais de R$ 500 mi em proteínas de origem vegetal

Primeiro-ministro canadense vê grande potencial no mercado de proteínas não animais, inclusive em relação à geração de bons empregos

Ervilha amarela é uma das apostas do governo canadense em relação às proteínas de origem vegetal (Foto: Real Foods)

Ao contrário de países onde o lobby da indústria agropecuária normalmente inviabiliza o apoio do governo federal às iniciativas que oferecem alternativas para quem não deseja mais consumir produtos de origem animal, o Canadá parece preferir apostar no futuro e na diversidade, projetando-se pra quem sabe se tornar um dos líderes na produção de alimentos baseados em proteínas de origem vegetal.

Um exemplo disso foi o que ocorreu na segunda-feira (22), quando o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o governo canadense vai investir o equivalente a mais de R$ 500 milhões na produção de proteínas de origem vegetal.

A iniciativa é uma consequência da atenção que o governo passou a dar nos últimos anos ao crescimento do mercado de alternativas às proteínas animais. Os recursos serão destinados à Merit Functional Foods, de Winnipeg, que se dedica à produção de proteínas a partir de ervilha e canola.

No pronunciamento oficial, Trudeau enfatizou que esse é um setor promissor e que criará bons empregos e proporcionará boa remuneração aos trabalhadores.

Trudeau reconhece potencial das proteínas não animais

“À medida que as pessoas ao redor do mundo consomem mais produtos à base de vegetais, temos a oportunidade de conciliar inovação e plantio”, disse e acrescentou que o investimento também beneficiará agricultores que estão investindo em canola e ervilhas amarelas.

De acordo com um release publicado pelo governo canadense, a Merit Functional Foods, que iniciará operações em dezembro deste ano, será a primeira indústria do mundo com capacidade para produzir proteína de qualidade, que seja segura para consumo humano, a partir da canola.

“A demanda do consumidor por proteínas de origem vegetal está crescendo no Canadá e nos mercados ao redor do mundo. Essa tecnologia inovadora fornece alternativas às proteínas derivadas de animais e laticínios, agregando valor às nossas commodities de grãos e proteínas à base de plantas”, informa o governo.

Guia Alimentar estimula consumo de proteínas de origem vegetal

Na última atualização do Guia Alimentar do Canadá, desenvolvido por médicos nutrólogos e nutricionistas, o governo canadense qualificou oficialmente a “dieta vegana” ou “vegetariana estrita”, em referência a uma dieta sem alimentos ou ingredientes de origem animal, como saudável. Além disso, destacou a importância do consumo de vegetais e encoraja a drástica redução do consumo de alimentos de origem animal.

No tópico de recomendações e considerações, o governo também enfatizou que é importante manter uma ingestão regular de vegetais, frutas, cereais integrais e alimentos ricos em proteínas, especialmente fontes vegetais de proteínas.

Embora o guia contemple diversos tipos de dietas, em vários pontos é feita uma observação sobre a importância da redução do consumo de alimentos de origem animal. “Uma mudança em direção ao consumo de mais alimentos baseados em vegetais pode ajudar os canadenses”, sugere.

O guia alimentar também recomenda a substituição de laticínios ricos em gorduras ruins por alimentos ricos em gorduras boas como oleaginosas, sementes e abacate. O governo canadense anunciou que o guia é atualizado de acordo com as necessidades da população.

A ascensão do veganismo no Canadá

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