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Deputado federal de SC quer facilitação da caça

Membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado federal Pezenti (MDB-SC), autor de um projeto de lei que visa proibir o uso dos termos “carne” e “leite” para produtos veganos, enviou um requerimento (RIC 777/2025) ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmando que javalis são uma “praga” e que a caça deve ser facilitada.

“Diante das mudanças recentes nas diretrizes ambientais e de controle de armas de fogo, há preocupações sobre possíveis restrições ao controle dessa praga, como a limitação da caça e a priorização do uso de armadilhas.”

Pezenti cobra a participação de associações de caçadores no Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus Scrofa) que, segundo ele, tem sido dificultada pelo Ministério do Meio Ambiente.

É importante lembrar que os javalis foram trazidos ao Brasil como parte de uma iniciativa de criação desses animais para exploração com fins de consumo. Mais tarde, eles foram abandonados e passaram a buscar a sobrevivência.

Portanto há um equívoco na menção a esses animais como invasores, como feita também pelo deputado no documento (RIC 777/2025) enviado ao Ministério do Meio Ambiente.

A referência a animais como “pragas” surge também para negar interesses e direitos a animais prejudicados pela ação humana, como se não houvesse responsabilidade humana sobre a realidade atual desses animais.

Pezenti também faz afirmações sobre o impacto dos javalis em lavouras e fala em prejuízos econômicos, mas não apresenta nenhum estudo/pesquisa, assim como quando referencia javalis como “um risco sanitário” envolvendo febre aftosa e “peste suína”.

Mas se a “peste suína” é um problema envolvendo os javalis, como ele próprio afirma no documento, o que dizer do risco gerado pela criação de dezenas de milhões de porcos para fins de consumo somente no Brasil?

A preocupação do deputado também se restringe somente aos animais como um fim no lucro quando ele pontua que javalis são um risco para “rebanhos comerciais” – atribuindo importância somente ao que ele define como “comercial”. Assim, se não fossem comerciais, podemos concluir que não haveria queixa em relação ao que ocorre com os rebanhos.

O que também evidencia que sua preocupação não é ambiental é que em nenhum momento ele faz referência a espaços naturais e aos animais que vivem nesses espaços. Todos os apontamentos feitos no requerimento em defesa da facilitação da caça expressam somente um interesse econômico, nada além disso.

Clique aqui para opinar sobre o requerimento de Pezenti.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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