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Produção de alternativas à carne cresce quase 39% na Alemanha

Schnitzel de seitan, uma das alternativas à carne mais populares na Alemanha (Foto: Zucker & Jagdwurst)

Em relação às alternativas à carne, a Alemanha continua sendo um dos países com maior apelo junto aos consumidores. Prova disso é o resultado de uma pesquisa divulgada ontem (14) pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha.

Segundo o Destatis, a produção de alternativas à carne no país aumentou quase 39% em 2020, subindo de 60,4 mil toneladas para 83,7 mil – o que revela um crescimento bem significativo em consequência da maior demanda por proteínas alternativas.

Com esse aumento, o mercado movimentou de 272,8 milhões de euros em 2020 para 374,9 milhões. Por outro lado, a produção de carne caiu 4%. Os números chamaram a atenção da Deutsche Welle que destacou essa mudança como uma tendência de que os “alemães estão produzindo menos carne e mais alternativas veganas”.

Redução bem significativa em 40 anos

O resultado também foi associado com a pandemia de covid-19, que desacelerou o consumo de carne no país. Porém, analisando a mudança de hábitos alimentares dos alemães no período 1978-2018, a Destatis concluiu que houve uma queda de quase um terço, o que revela uma alteração gradual no consumo da população iniciada muito antes da pandemia.

Enquanto uma família consumia uma média de 6,7 quilos de carne por mês em 1978, mas sem incluir salsichas, linguiças, carne defumada ou qualquer outro tipo de carne processada, em 2018, antes do impacto da covid-19, a média já havia caído para 2,3 quilos.

Vale lembrar que, segundo uma pesquisa publicada na revista Foods em 2020, 42% dos alemães disseram que estão reduzindo o consumo de carne. Esse percentual baseado em entrevistas com mil pessoas é bem mais significativo do que o de uma pesquisa anterior realizada pela empresa britânica YouGov, que apontou que na pandemia de covid-19, 29% dos alemães decidiram reduzir o consumo de carne.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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