O que vale no açougue é a morte

Parou à noite em frente a um açougue. Na vitrine iluminada, viu a cabeça de um porco decorada. Para os clientes que entravam e saíam, aquela cabeça era irrelevante. Ficou intrigado com o cuidado que alguém teve com a cabeça do porco. “Parece que alguém quis deixá-la bonita.” Ao lado da cabeça havia cortes de […]

O pernil é somente um pernil?

Perto do açougue do supermercado, ouvi alguém dizer: “Que belo pedaço!” Era sobre um pernil de porco. O pedaço estava “limpo”, sem sangue residual, sem ideia de conjunção – apenas a carne como se tivesse chegado ali por ser dali, como se fosse daquele jeito. O sorriso de alguém diante do balcão, do lado de […]

Em quanto tempo um corpo morto desaparece do açougue?

Em quanto tempo um corpo morto desaparece do açougue? Penso nisso ao ver carcaças sendo descarregadas no fundo do supermercado. Removem várias e não vejo todas. Presto mais atenção em uma, reconhecendo que a unidade não é apenas sobre uma realidade nem sobre um indivíduo. Claro, posso direcionar minha atenção à somatória, enumerar, mas observo […]

E se conhecêssemos a história dos animais que comemos?

Uma pessoa pode olhar para um animal e não vê-lo como alimento, o que também é comum; e quando o compra no açougue não lembra do animal que já viu e que tem partes dispostas naquele espaço de comercialização. Esse é o processo mais comum de desconexão, e porque as pessoas não são educadas para […]

Quem vê os animais no mercado?

Entrou no mercado, caminhou até o açougue e parou. “Aqui estão os animais que não se vê. Mas só aqui?” Viu formas, maneiras e percebeu cheiros, sons e movimentos. “Açougue é onde não pode-se negar a obviedade, por mais dissimulada e finória que seja. Afinal, se digo aqui e agora que temos grande sortimento de […]

Quantos corpos colocamos em nossos corpos?

Ficou parado na ponta do balcão do açougue. Enquanto clientes eram atendidos, seus olhos passeavam pela vitrine bem iluminada. “O que é a carne?”, questionou-se. “O que não é para a vida é para a morte? Que semostradeira visceralidade…ou iniquidade.” Observou a diversidade de formas – geométricas, irregulares, grossas, finas e cores indefinidas. “Disso, todos […]

Animais são invisíveis nos açougues

Animais são invisíveis nos açougues. Não estão lá, e se estão, também não estão. Quem vê? Quem não vê? Morto é inexistência que começa na encetadura da vivência. Se andam ou movem-se, não são o que são, e quando não andam ou movem-se, também não. Então quando são? Invisibilidade é precedência, precessão, porque o não […]

Quando a morte dos animais pesou

Depois de abater um porco, sentiu algo estranho e teve dificuldade pra andar. Outro funcionário mal arrastava a galocha. Em minutos, não havia mais abatedor de pé. Todos estavam sentados no chão. Moviam os olhos, a cabeça e qualquer outra parte do corpo bem devagar, até que não conseguiram mais levantar as mãos. Lágrimas pesavam, […]

A crítica à violência por trás da carne em “Infância”, de Coetzee

No romance autobiográfico “Infância”, de 1975, o escritor sul-africano J.M. Coetzee, que é vegetariano e venceu o Nobel de Literatura de 2003, já apresentava uma perspectiva diferenciada em relação aos animais e ao consumo de carne. Embora ele tenha desenvolvido com mais profundidade suas ideias sobre o assunto décadas depois, por meio dos livros “Elizabeth […]

O fim do desejo pela carne

De madrugada, voltando para casa, parou em frente a um açougue desativado e observou preso à marquise um pedaço de carne iluminado por uma vela. Notou que a carne ganhou uma película que a impedia de ser assada, embora exalasse cheiro estranho e desagradável. Concluiu que uma ou várias pessoas trocaram as velas, porque não […]

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