Mercado

Alternativas à carne recebem mais atenção e investimentos

“A tecnologia de alimentos apresenta um caminho viável para atender a demanda global de proteínas de maneira mais sustentável” (Foto: Getty)

De acordo com a rede internacional de investidores Farm Animal Investment and Risk Return (Fairr), sediada em Londres, pelo menos 40% ou duas a cada cinco grandes marcas de alimentos estão investindo em departamentos de alternativas à carne e de outros tipos de proteínas de origem vegetal em 2020.

Isso prova que essas empresas que somam uma receita equivalente a R$ 2,44 trilhões ao ano entendem que esse mercado é uma realidade que veio para ficar. Por isso, e para não ficarem para trás, estão desenvolvendo pesquisas para lançarem no mercado mais produtos que substituem principalmente carnes e laticínios.

Em comparação com 2019, este ano o mercado de proteínas não animais já recebeu o dobro de investimentos dessas empresas. Segundo a Fairr, a atenção para o segmento é classificada também como um compromisso de desacelerar o impacto da produção de alimentos nas emissões de carbono. Ou seja, investir em proteínas não animais pode ajudá-las a aproximarem-se da meta de redução da contribuição nas mudanças climáticas.

Oportunidade de se beneficiar dos novos hábitos de consumo

O relatório da rede de investidores também frisa que 7 de 15 grandes varejistas que ocupam posição de destaque no mercado global já vendem ou planejam vender alternativas à carne no mesmo espaço onde já comercializam carnes.

O fundador da Fairr, Jeremy Coller, avalia que esses dados são uma prova de que as empresas de alimentos estão usando sua infraestrutura e capacidade inovativa para “se beneficiar da maneira como [hoje] as pessoas compram e consomem”.

“Pela primeira vez desde a revolução verde, que criou a agricultura industrial há 60 anos, a tecnologia de alimentos apresenta um caminho viável para atender a demanda global de proteínas de maneira mais sustentável”, observa Coller.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 semana ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago