Maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, a China não é um país onde o consumo de carne bovina seja uma prioridade, e por fatores econômicos e culturais.
Enquanto nos EUA o consumo per capita de carne vermelha é de 26,3 quilos ao ano, na China a média cai para 4,1 quilos. Ou seja, uma diferença de 641%. Isso explica também porque quando o assunto é o mercado chinês as startups asiáticas e norte-americanas estão mais interessadas em criar alternativas à carne de porco.
Afinal, na China, o consumo per capita de suínos chega a 30 quilos ao ano. Por isso as empresas de carnes vegetais entendem que no momento uma mudança de consumo na China depende da oferta de alternativas à carne de porco que sejam atrativas ao paladar dos chineses.
É perceptível que o país asiático está mais receptivo às proteínas alternativas em consequência de doenças como a gripe suína (que também afeta humanos) e peste suína (que não afeta pessoas, mas gera grandes prejuízos econômicos).
Há um cenário promissor para empresas dispostas a oferecer produtos que motivem os chineses a mudarem seus hábitos alimentares. No entanto, a transição depende hoje da oferta de opções que estejam o mais próximo possível daquelas com as quais a população já está acostumada.
O que reforça também o potencial do segmento é que uma pesquisa da Future Market Insights (FMI) prevê crescimento de 880% em vendas de “carne de porco vegetal” até 2030 – subindo de um valor equivalente a R$ 6,5 bilhões para R$ 57,5 bilhões.
Empresas de grande visibilidade no cenário global de carnes vegetais como Beyond Meat e Impossible Foods já estão se inserindo nesse mercado, que também conta com empresas asiáticas desenvolvendo às suas próprias alternativas à carne de porco – como o Omnipork.
Ainda é cedo para apontar uma grande redução do abate de suínos na China em consequência de uma mudança de hábitos alimentares, mas é inegável que as alternativas à carne de porco têm condições de contribuir de forma substancial.
No entanto, a dimensão dessa contribuição também dependerá dos produtos oferecidos e dos benefícios nutricionais, incluindo quantidade e qualidade das proteínas. Afinal, no mundo atual, a tendência não é mais deixar de consumir algo para incorporar na alimentação outro algo que não apresente reais benefícios e vantagens.
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