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Covid-19: venda de alternativas à carne cresce 279,8% nos EUA

Enquanto alguns setores enfrentam uma grave crise em decorrência da pandemia, alimentos à base de proteínas de origem vegetal seguem em expansão (Foto: Getty)

Uma pesquisa concluída pela Nielsen e divulgada no último final de semana pela Rádio Pública Nacional (NPR em inglês) dos Estados Unidos, como parte da série “Crise do Coronavírus”, revelou que a covid-19 está estimulando o consumo de alternativas à carne no país.

Enquanto alguns setores enfrentam uma grave crise em decorrência da pandemia, as vendas de alimentos à base de proteínas de origem vegetal tiveram crescimento de 279,8% em comparação ao mesmo período de março de 2019. A preferência tem sido por opções frescas de alternativas à carne.

As alternativas que surgiram e estão surgindo em substituição à carne têm um cenário bastante promissor nos Estados Unidos até o final de 2020. A projeção do Good Food Institute (GFI) para este ano é de lucro de um bilhão de dólares – e como resultado do crescente interesse do consumidor por opções que imitam a carne animal, mas que são baseadas em vegetais.

Concorrência está aumentando

Depois que empresas como a Beyond Meat e a Impossible Foods lançaram seus produtos no mercado norte-americano, encontrando o seu próprio nicho não apenas entre veganos e vegetarianos, mas também entre consumidores que ainda se alimentam de animais, a concorrência está aumentando, com indústrias de alimentos de diferentes portes criando suas próprias versões de carnes à base de plantas.

Isso tem se expandido por diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Não é difícil notar que até grandes empresas perceberam que esses produtos realmente vieram para ficar e por diversos fatores, que vão desde a recusa em se alimentar de animais, busca por novas e diferentes opções e preocupações com o meio ambiente e utilização de recursos naturais.

Imitações convincentes para conquistar o consumidor

Além disso, se o produto agradar o paladar dos consumidores de carne, eles terão mais um motivo para considerarem uma mudança em seus hábitos alimentares. Até porque não é novidade que há empresas dedicadas a esse segmento que estão usando ingredientes à base de plantas para criar imitações convincentes de alimentos de origem animal que possam fazer com que grandes consumidores de carne se tornem consumidores de produtos de origem vegetal.

Há um claro entendimento de que é mais fácil uma empresa criar um produto que se adapte ao paladar do consumidor do que o oposto, e principalmente se esse consumidor é mais resistente às mudanças quando considera como prioridades critérios como sabor e textura. Ao se aproximar do paladar do consumidor, essas empresas também ampliam sua capacidade de alcançar o maior número possível de pessoas.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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