O Financial Times publicou esta semana que a crise provocada pela covid-19 está reformulando o mercado de carnes nos EUA ao popularizar e aumentar ainda mais as vendas de alternativas à base de vegetais – o que ocorre em um cenário crescente de desaceleração do consumo de carne e fechamento de matadouros em decorrência da disseminação do coronavírus.
A publicação frisa que nos EUA os substitutos de carne registraram aumento de 200% na semana que se encerrou em 18 de abril em comparação com o mesmo período de 2019, e ainda tiveram aumento de 265% ao longo de oito semanas, conforme dados da Nielsen.
O diretor executivo do Good Food Institute, Bruce Friedrich, observa que embora a carne à base de vegetais ainda represente uma pequena parte do mercado de proteínas, o produto tem crescido rapidamente em popularidade nos últimos anos – uma tendência que foi acelerada pela crise do coronavírus.
Segundo Friedrich, em relação à carne, os produtos à base de vegetais não sofrem muito com a crise porque o processo de produção é mais automatizado, demanda menos mão de obra e tem uma cadeia de suprimentos menos volátil.
Um relatório divulgado em abril pela empresa de pesquisa de mercado MarketsandMarkets também apontou que o momento atual é favorável às carnes vegetais – destacando principalmente alternativas à base de soja, trigo e ervilha – ingredientes que têm se popularizado na produção de versões vegetais de hambúrgueres, linguiças, carne moída e almôndegas.
A projeção do Good Food Institute (GFI) para este ano só nos EUA é de lucro de pelo menos um bilhão de dólares em carnes vegetais.
Depois que empresas como a Beyond Meat e a Impossible Foods lançaram seus produtos no mercado norte-americano, encontrando o seu próprio nicho não apenas entre veganos e vegetarianos, mas também entre consumidores que ainda se alimentam de animais, a concorrência está aumentando, com indústrias de alimentos de diferentes portes criando suas próprias versões de carnes à base de plantas.
Isso tem se expandido por diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Não é difícil notar que até grandes empresas perceberam que esses produtos realmente vieram para ficar e por diversos fatores, que vão desde a recusa em se alimentar de animais, busca por novas e diferentes opções e preocupações com o meio ambiente e utilização de recursos naturais.
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