Uma pesquisa concluída esta semana reforça que a proteína do futuro está na ervilha, considerando o seu potencial de utilização na produção dos mais diversos tipos de alimentos e bebidas.
O relatório publicado pela Grand View Research aponta que até 2027 o mercado de proteína de ervilha deve valer o equivalente a pelo menos 2,28 bilhões de reais, com taxa de crescimento anual composta de 7,6% e grande participação de países em desenvolvimento da América do Sul e Central, região da Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África.
A estimativa de crescimento para esse mercado vai ao encontro de outras pesquisas realizadas recentemente, como a da Markets and Markets, que faz uma projeção ainda mais otimista, prevendo uma taxa de crescimento anual composta de 13,5% e valorização de R$ 6,7 bilhões até 2025.
No Brasil, a proteína de ervilha, além do uso como suplemento esportivo em forma isolada, tem sido utilizada cada vez mais pela indústria alimentícia, incluindo produtos de panificação e alternativas à carne. O ingrediente passou a ser uma opção também em substituição à proteína de soja.
“O crescimento da indústria de alimentos e bebidas em economias como a do Brasil, Índia, China e México, como consequência do aumento do consumo interno e da adoção de modernas tecnologias agrícolas, deverá impulsionar o crescimento do mercado de proteína de ervilha”, avalia a GVR.
Considerando a projeção, o mercado tem um cenário otimista tanto para quem produz quanto para quem utiliza a proteína de ervilha – o que beneficia consumidores que buscam mais opções de alimentos à base de vegetais, além de estimular novos hábitos de consumo de produtos não animais.
Vale lembrar também que no passado as ervilhas tiveram papel determinante na superação da desnutrição energética-proteica em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.
“Os pioneiros nesse mercado desenvolveram produtos que se assemelham ao que a proteína à base de carne oferece, além de agregar sabores que podem ajudá-los a conquistar maior participação no mercado.”
Outro ponto favorável é que a proteína de ervilha tem alta digestibilidade e grande quantidade de aminoácidos e bons níveis de lisina e glutamina, além de fibras solúveis e insolúveis. Hoje o produto está disponível para uso alimentício em formas concentradas, isoladas, hidrolisadas e texturizadas.
No ano passado ,a Bloomberg já havia divulgado que a demanda por proteína à base de vegetais elevou a produção de ervilhas em pelo menos 20% nos Estados Unidos e Canadá, apontando que se trata de uma tendência mundial. A justificativa é que a ervilha é hoje um dos ingredientes principais na elaboração de alternativas à carne.
Não apenas à carne, mas também de outros produtos que levam proteínas de origem animal como os laticínios, sendo também opção para intolerantes à lactose – conforme observado na América do Sul, América Central, Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África.
De acordo com informações da NutriScience Solutions, empresa canadense que é referência internacional em ciência e tecnologia de alimentos, o consumo global de proteínas à base de vegetais deve duplicar até 2025 – subindo dos atuais oito bilhões de toneladas por ano para 16,3 bilhões de toneladas.
Comparando o impacto da produção de carne bovina com a proteína baseada em vegetais, um estudo liderado pelo pesquisador Joseph Poore, da Universidade de Oxford, aponta que mesmo a carne orgânica ou considerada sustentável pode requerer 36 vezes mais terra e gerar seis vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que a produção de leguminosas como a ervilha.
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