Atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) é um defensor do abate de cavalos, mulas e jumentos. Ele é um dos opositores do Projeto de Lei (PL) 5949/2013, que visa a proibição do abate desses animais em todo o país.
Contra a proposta, que ainda deve ser submetida à votação na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, ele alega que “o abate de animais descartados, afastados do trabalho ou da reprodução, é uma medida aconselhável do ponto de vista humanitário e também sanitário, por reduzir o risco de seu abandono e descuido na velhice”.
Portanto, para Lupion, é melhor que esses animais sejam mortos do que tenham a oportunidade de envelhecer. Em vez de defender a garantia de cuidados a esses animais após uma vida de exploração, a posição do deputado é de que sejam enviados para o matadouro e que se lucre com isso.
“Além disso, o aproveitamento industrial da carne, da pele e de vários outros subprodutos de equídeos alvo de descarte gera algum valor de mercado”, argumenta o presidente da FPA, também conhecida como bancada ruralista.
Pedro Lupion cita ainda que mesmo que no Brasil não se tenha o costume de consumir carne de cavalo, por exemplo, a carne pode ser exportada. Ele defende o incentivo à “equideocultura”, para estimular o desenvolvimento desse mercado no Brasil.
O deputado também insiste, ignorando a contradição de sua afirmação, que ao enviar esses animais para o matadouro resolve-se o “problema de maus-tratos”. Ele propôs um substitutivo com o objetivo de anular o que é proposto no projeto de lei original, ou seja, a proibição do abate cavalos, mulas e jumentos.
Pedro Lupion ainda alega que ao enviá-los para o abate se evita que passem fome ou se tornem vetores de doenças. Mas evitar que passem fome ou que sejam vetores de doenças não deveria ser obrigação de quem explorou esses animais a vida toda? E caso alguém não tenha condições de mantê-los, se isso for verdade, justo seria garantir que sejam enviados para locais onde possam ser bem tratados até os seus últimos dias.
Se aprovada pela Comissão de Meio Ambiente, onde encontrou resistência de membros da Frente Parlamentar da Agropecuária, a proposta também deve ser submetida à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Saiba Mais
O projeto de lei ainda tramita com o seu objetivo original, de probir o abate de cavalos, mulas e jumentos.
A Frente Parlamentar da Agropecuária é a maior bancada do Congresso Nacional e hoje soma 352 membros, entre deputados federais e senadores que atuam de acordo com os interesses da agropecuária, assim também antagonizando propostas que beneficiam os animais, como essa que visa proibir o abate de cavalos, mulas e jumentos em todo o Brasil.
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A materia pode causar dúvida sobre o que se está votando, se o PL original ou a proposta favorável ao abate dos cavalos e jumentos. Há risco de votarem NÃO, pensando neste último caso. Um esclarecimento complementar se faz importante: a lista dos 352 inimigos dos animais e do meio ambiente saudável, para que não se reelejam pelo descuido de pessoas decentes, que não dariam seu voto para quem pretende massacrar a Natureza e, principalmente, os inocentes animais.